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quinta-feira, 19 de maio de 2016

ENTREVISTA AO FOLHA DO NORTE

http://aroldopacoti.blogspot.com.br/2016/05/entrevista-ao-folha-do-norte.html

ENTREVISTA AO FOLHA DO NORTE

Entrevista on-line do "Jornal Delfos" do Ceará ao colunista "Fábio Oliva", do jornal "Folha do Norte", de Minas Gerais.
Fábio Oliva é jornalista investigativo e ganhou um prêmio da BRAJI por bravura.

Esta é a 2a entrevista do Jornal Delfos.

Escolhemos o Folha do Norte por ser um jornal comunitário, assim como nós, só que com jornalistas bem mais experientes na área, dentre eles se destaca Fábio Oliva, que nos concedeu entrevista via e-mail em 28 de maio de 2010.

Fábio ficou famoso por apurar denúncias que puseram a baixo o cargo de vários prefeitos de sua cidade. Hoje ele faz parte da ABRAJI, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, e tem se destacado a cada dia, tanto que foi citado pelo jornal O Povo, num curso sobre contas públicas, como exemplo de como um jornal comunitário pode mudar a História.

Então, vamos à entrevista que este grande jornalista nos concedeu:

Ateu Poeta:
1: _ Sabemos que sempre houve ataques a jornalistas, mas não na mesma proporção que hoje em dia. Na America Latina está acontecendo inclusive de assassinatos freqüentes, às vezes a equipes inteiras.

O "Jornal Delfos" ficou sabendo que você também já foi alvo de agressões, por causa do seu trabalho no jornal "Folha do Norte", conte-nos um pouco como isso ocorreu e por quê.

Fábio Oliva:
Eu estava a caminho do Ministério Público, onde entregaria uma série de fotografias que mostravam a presença de trator da Prefeitura de Januária arando terras da fazenda do ex-prefeito Valdir Pimenta Ramos.
Quando estava sobre o passeio em frente ao Fórum de Januária, saíram detrás de uma caminhonete três irmãos advogados.
Eles se revesavam na ocupação de funções públicas ligadas à área jurídica no município e, nessa qualidade, alguns deles foram responsáveis pela emissão de pareceres jurídicos com datas retroativas ou emitidos no bojo de licitações sabidamente fraudulentas. Esses fatos já haviam sido divulgados por mim no jornal Folha do Norte.
Dois deles estavam armados de revólveres. Fugi do local na garupa de uma motocicleta que passava e cujo piloto me ajudou. Como não houve disparo, os três advogados responderam a um processo criminal perante o Juizado Especial Cível.
Fizeram transação penal, ou seja, trocaram o processo pelo pagamento de uma multa. Cada um pagou R$ 600,00 a três entidades filantropicas e tudo ficou por isso mesmo. É a vida.

AP: 2 _O "Folha do Norte" assim como o "Jornal Delfos" trata-se de um jornal comunitário. Segundo relato do jornal "O Povo", você conseguiu derrubar alguns gestores no município onde o seu jornal funciona. O jornal "O Povo" chamou você de jornalista investigativo, inclusive existe uma "Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo".

Gostaríamos de saber como se deu o caso das investigações sobre os tais prefeitos corruptos e qual a diferença de um jornalista comum para um jornalista investigativo.

FO: Primeiro é preciso esclarecer a razão do surgimento do jornal Folha do Norte. Quando criamos a ONG de combate à corrupção em Januária/MG, não conseguíamos emplacar uma matéria na mídia existente.
A TV local e duas rádios pertencem à família do ex-deputado federal "sanguessuga" Cleuber Carneiro. A rádio comunitária pertencente a uma entidade social, o Serviço de Promoção do Menor (Servir) quase não podia nos dar espaço, porque dependia de aproximadamente 20 funcionários da prefeitura, entre professores e outros, para poder funcionar.
Um jornal, o Tribuna do Vale, pertence a um cunhado do ex-prefeito João Ferreira Lima (um dos cassados). O outro jornal, "A Voz do Povo", é mantido em nome de "laranjas" mas, de fato, pertence a um ex-secretário de Fazenda que ficou milionário em sua passagem pela prefeitura. Dai tivemos que criar um jornal para dar voz às ações de combate à corrupção.

A diferença básica entre um jornalista investigativo e os demais é a seguinte: Normalmente o jornalista divulga notícias do cotidiano.
O jornalista investigativo acaba produzindo a própria notícia e não apenas relatando fatos do dia a dia. Ele investiga, escarafuncha, garimpa informações as mais dispersas, junta provas, concatena fatos dispersos, até chegar a uma conclusão.
Às vezes uma reportagem dessas, por seu alto grau de complexidade, demora semanas, meses e, às vezes, até anos para ser concluída. É um misto de trabalho policial, de investigador, com o trabalho de jornalismo.

AP: 3_ O jornalismo é uma profissão muito arriscada, principalmente, hoje em dia. Nesse mês, inclusive, houve um ataque a um jornalista cearense em Juazeiro do Norte quase fatal.

Gostaríamos de saber, o que levou você a ser jornalista. Por que você escolheu esta profissão?

FO: A verdade é que quem se dedica ao jornalismo não escolhe a profissão. A profissão é que o escolhe. A vocação de servir, o desejo de ser útil a um número indeterminado de pessoas e causas vem primeiro.
Depois é que a pessoa escolhe como vai se dedicar a isso, emprestando um pouco do seu tempo e talento a essas coisas e causas. Alguns então se dedicam ao voluntariado, outros o jornalismo.
Mas há, por exemplo, quem escolha ser um "médico sem fronteiras", ou "advogado sem fronteiras" e assim por diante.
Meu avô era escritor. Como não sabia datilografar, fazia os manuscritos e eu os datilografava. Assim tive contato com as letras bem cedo. Gostei e nunca mais parei. Comecei no jornalismo como revisor no antigo "O Jornal de Montes Claros". Tinha de 16 para 17 anos.
Depois fui promovido a "foca", atuei nas editorias de cidade e política. Mais tarde fui assessor de imprensa da Associação Comercial e Industrial de Montes Claros; correspondente do jornal "Diário do Comércio", de Belo Horizonte e, em 2007, tive a felicidade de ter uma de minhas reportagens escolhidas para representar o Brasil no "Prêmio Ipys de Jornalismo Investigativo".

AP: 4_ Houve no Brasil há algum tempo uma ação de proibição aos jornalistas sem diploma de atuam na área. Até um projeto de lei nesse âmbito foi para a última instância de votação no Supremo Tribunal Federal, que, no fim, foi anulada por ser julgada inconstitucional.

Saiu no programa "Observatório da Imprensa" da "TVE-Brasil" que nos Estados Unidos existem curso de mestrado em 2 anos para jornalistas não formados na área. Já no Brasil, não existe isso, contudo, existem cursos on-line de capacitação.

Gostaríamos de saber o que você pensa a respeito. Você acha que deveria existir esse curso de mestrado para jornalistas não formados no Brasil?

FO: Não duvido que a academia possa ser extremamente útil ao aperfeiçoamento de quem tem vocação e escolheu o jornalismo para profissão. Mas jamais fará de alguém que não tem vocação, que não tem o jornalismo no sangue e a determinação de sê-lo nas ventas, um bom jornalista.
Sou favorável a duas coisas:
1) que seja preservado o direito de quem já exerce a profissão há muitos anos de continuar a exercê-la, independentemente de diploma; e 2) que sejam criados mecanismos capazes de possibilitar a graduação de quem já exerce a profissão sem diploma e deseje se graduar.
Uma legislação que não preveja estas duas possibilidades consistiria em uma novatio legis in pejus. Ou seja, numa nova lei que traria prejuízos se aplicada a fatos anteriores. Tal coisa é abominável.
Há por esse país inteiro milhares de jornalistas não formados que exercem com dignidade e profissionalismo o ofício, sustentam suas famílias e desempenham papel de excepcional importância para a sociedade.
Como também há jornalistas bandidos. Isso ocorre em todas as profissões. Também há juízes bandidos, advogados bandidos, médicos bandidos e por ai vai. O diploma de jornalismo não elimina o jornalista bandido.
Há muitos jornalistas com "canudo" que são verdadeiros bandidos. Mas não há que se generalizar, nem em relação aos formados, nem aos não-formados.

AP: 5_ Por fim, gostaríamos que você deixasse aqui uma mensagem para aquelas pessoas que se interessam pela função de jornalista.

FO: É uma profissão maravilhosa. Ajudar a um número indeterminado de pessoas é uma coisa maravilhosa, qualquer que seja a profissão que lhe permita fazer isso. Mas, fazer isso através do jornalismo tem um toque especial.

Não se pode perder de vista, no entanto, que o maior ganho será sempre o reconhecimento público e profissional, a satisfação pessoal. Infelizmente é uma profissão muito mal remunerada. Quase ninguém ficará rico no jornalismo, se o praticar honestamente.


Aroldo Historiador
Presidente do Jornal Delfos
Minas-Ceará, via e-mail
Entrevista realizada com o jornalista Fábio Oliva
Em 28/05/2010

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