Temer na cadeia Aécio na cadeia

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Copiem e colem em seus perfis

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

FRANCISCO FREITAS, O OPORTUNISTA

FRANCISCO FREITAS, O OPORTUNISTA

Francisco Freitas acabara de roubar uma rosa do jardim e pular o portão de uma grande casa. Tinha uma habilidade tão grande que descia escorregando como se tivesse pregado.

_Olha como ele parece uma lagartixa!_ Falou a proprietária ao avistá-lo no flagra.

_Muito obrigado pela flor_ agradeceu Freitas, embaixo tinha deixado a sua mala e trajava um terno preto de colarinho branco e gravata sempre azul; dizia que a gravata azul dava sorte porque sempre achavam que ele era de direita e assim facilitava o desenrolar na maioria dos seus casos_ eu preciso dela para defender um caso. E por sinal, feliz aniversário!_ Tirava de um dos bolsos um pequeno bolo de plástico que tirara no dia anterior de um brinquedo em um shopping  alegando que estava quebrado e ainda processara a loja; o dono da loja fez um acordo e deu de presente para ele uma viagem para a Disney, que Freitas repassou para o irmão e conseguiu mais duas passagens da loja, uma para a cunha e outra para a sobrinha. Mais tarde ele conseguiria alguma vantagem do irmão, ainda não sabia o que, mas era melhor sempre deixar alguém devendo para que pudesse cobrar depois.

_ Obrigada_ Respondeu a mulher_ Dá próxima vez basta pedir. Na verdade todas já estão reservadas. Se me roubar de novo precisará de um advogado.

Nesse momento Freitas tirou do bolso um cartão e estendeu para a senhora:_ Não acontecerá novamente, senhora. Mas, em todo caso, eu posso indicar um muito bom._ No cartão tinha um e-mail, um telefone, a foto do sujeito com o dizer “Escritório de Advocacia Freitas e Freitas: jamais perdemos um caso!”._ Ele piscou o olho para a mulher, virou-se e continuou sua caminhada.

_Como você fez isso?_ Disse para ele uma outra mulher que assistira à tudo de uma meia distância, mas o suficiente para escutar tudo.

_Algumas pessoas ficam mais permissivas no dia do próprio aniversário. Outras ficam mais permissivas quando é o meu aniversário.

_E no caso, hoje é o aniversário dela. Como você descobriu eu não sei.

_Sim. Eu tenho as minhas fontes. Mas, também é o meu aniversário._ Puxou do bolso a identidade.

_Você tinha um plano B, então?_ Indagou-lhe a mulher.

_Na verdade, o plano B eu acabei de usar; o meu próprio aniversário já é um plano C.

_E quantos planos você preparou para se sair dessa? Só por curiosidade.

_Na verdade, 8. É bom prevenir.

Mais tarde, em um restaurante entra um homem que acabara de sair do trabalho para almoçar e estava com uma fome muito grande. Acabou furando a fila e pegando um ovo cozido com uma colher e sentou em uma mesa a comer já também com um prato vazio na mão. Pretendia voltar para a fila desta vez, mas um dos garçons olhou para ele e disse:_ Você é muito folgado, cara!

O homem, ainda de boca cheia, um ovo na mão, o outro na boca, apenas levantou-se e saiu do restaurante quando Freitas chegou. E foi logo falando:_  Se você quiser, pode arrancar um bom dinheiro desse restaurante por desrespeito às leis do consumidor_ Foi logo dando um seu cartão ao homem._ Eu sou advogado e ganho esse caso pra você se me der 10% da indenização. Se eu perder não cobro nada. Agora volte para lá e entre na fila novamente.

O homem, que nem o conhecia, simplesmente obedeceu. E antes de acabar de completar o seu prato uns outros caras começaram a jogar pratos vazios para cima e atirar neles com uma arma de chumbinho. O dono do restaurante ao ver aquilo desceu de seu escritório com uma arma na mão e por acaso um dos tiros de chumbinho acertou na mão direita do homem que voltara para comer, que por sua vez derrubou o prato cheio bem no pé esquerdo do dono do restaurante, que pois a arma na cintura e lhe deu um murro dizendo:_ Chega! Não quebrem meus pratos!_ E em seguida deu um tiro para cima.

O homem que levara o soco caiu por cima de uma cliente que estava sentada, com a cabeça entre os seus seios. O marido, que acabara de voltar do banheiro ao ouvir o tiro vendo aquela cena e levantou o homem quase desmaiado e lhe deu outro soco. Eis que o homem cai por cima justamente do dono do restaurante.

A confusão se estendeu das 10 da manhã até as 2 da tarde. A polícia chegou e atirou para cima várias vezes, mas tudo só piorava até que chegaram mais quatro viaturas e foram prendendo geral. O dono do restaurante também foi levado para prestar esclarecimentos e mesmo registrar o B.O.

Mas , não teve jeito, um mês depois o restaurante estava sendo processado em massa. 20 clientes fizeram um acordo de ser representados pelo mesmo advogado, Freitas, que começara a defesa:_ Senhoras e senhores, vejam o caso do meu cliente João, que chegara para almoçar e já no começo foi ofendido pelo garçom Leandro que o chamou de folgado, dizendo “você é muito folgado, cara”. Isso é coisa que se diga a um cliente que tem hipoglicemia? E justamente por causa da hipoglicemia que meu cliente voltou para o almoço e acaba sendo atingido por um soco do dono do restaurante por sem querer derrubar um prato ao ser atingido na mão por  um tiro de chumbinho de outro cliente. Para este caso em particular peço a quantia de indenização de 50 mil reais por danos morais, danos pessoais, injúria, agressão e danos físicos.

Os jurados deram de cara e o juiz ainda subiu para a sentença para 60 mil. Em seguida defendendo clientes estrangeiros que atiraram com a arma de chumbinhos fez com que ao mesmo tempo eles indenizassem o cliente 1, cada um em 10 mil e fez com que cada um recebesse do restaurante 20 mil pelo constrangimento perante arma de fogo. Eram os outros 19 clientes. O que dava um total de 380 mil reais dos quais 190 mil seriam do cliente 1, que ganhara ao todo, 250 mil dos quais Freitas 25 mil reais mais 19 mil reais, recebendo no final de tudo 44 mil reais. O dono do restaurante pagara no fim 440 mil reais. Não precisamos dizer aqui que o restaurante quebrou.

Após tudo resolvido, Freitas conversa com o seu cliente 1 daquele caso e diz: _Meu caro, você recebera dois socos no mesmo local e eis aqui o seu dente real_ estava com um dente cariado na mão_ agora vá ao dentista que este dente estava cariado. Eles acabaram lhe fazendo um bem sem querer, há-há-há, você precisava mesmo arrancá-lo .

_Aquele dente que você mostrara ao juiz não era meu?

_Não mesmo. Aquele foi um dente falso.

_Eu só queria saber uma coisa, como você conseguiu as filmagens daquela briga inteira desde a minha chegada cortando exatamente a parte em que eu falei com você?

_Foi tudo armado. Várias testemunhas daquele caso trabalham para mim. Se não fosse você seria outro cliente que eu convenceria. Na verdade convenci você e mais 19. 17 eu fiz atirarem de chumbinho e disse ao juiz que no país deles aquilo era um hábito normal e o juiz engoliu essa não porque seja  verdade, mas porque está dentro do esquema também.

_Eu quero fazer um acordo com você, Freitas. A gente quebra outros restaurantes ou seja lá o que for e enrica juntos.

_Feito.

Cinco anos depois, o cliente 1 ganhara alguns milhões às custas do talento de Freitas, mas este por sua vez também ganhara alguns milhões, só que 10% que por sua vez, tinha que dividir sempre com muitos contratados  além das propinas e apesar de tudo ainda assim era bastante, mas o “céu é o limite”.

O cliente convida Freitas para um almoço de noivado. Já lá Freitas segura um espeto com carne de gado e muitos garçons ao lado também, fazendo gestos de levantar.

_Eu sei o que você quer fazer, Freitas, mas deixe que ela mesmo faça _Dizia o seu cliente, achando que Freitas estava apenas tentando fazer com que a noiva lhe desse algo de presente ou dissesse algo, mas não era isso. Freitas na verdade trocara as alianças de noivado para uma de casamento e chamara um padre para o casamento sem ninguém saber. Tudo o que fazia era para causar distração.

_Peça logo ela em casamento! Aqui está o padre! _Disse Freitas, para o espanto de todos. E o padre acenou para todos. _Acabou o casamento acontecendo ali mesmo.

No final da festa, quando estavam todos bêbados, exceto o padre, a noiva e Freitas. O advogado chega para a noiva estendendo seu cartão e diz:_ Minha cara, noiva recém-casada, a aliança que você receberia esta noite era esta_ Estendeu o anel que ela receberia_ eu troquei por este daí no seu dedo. A pergunta é: você pretende se divorciar?

_Claro que sim. Eu só casei com esse cara porque ele é rico. Eu vou passar esse mês apenas e depois arrastarei 50% do que ele tem. Já tenho um excelente advogado.

_Eu sei_ Disse Freitas_ ele trabalha para mim. A minha equipe jamais perdeu um caso, eu só quero garantir desse caso os meus 10%.

Aroldo Historiador
01/08/2016

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